O Dia do Bibliotecário

O Dia do Bibliotecário é hoje! Parei para refletir sobre a profissão e então resolvi escrever esse pequeno texto em homenagem aos meus colegas que todos os dias estão a salvar navios à deriva neste vasto oceano do conhecimento.

Navios à deriva

Ontem, véspera do dia do Bibliotecário, minha filha de 3 anos, a Titiny, se aproximou e me fez uma das suas, em média, 300 perguntas diárias: “-Papai, como se guarda um livro?”

Sempre levo suas perguntas muito a sério e normalmente aproveito para iniciar um diálogo sobre o assunto de seu interesse. Porém, desta vez não resisti e soltei um “-Primeiro, você faz um curso de 4 anos e…”, bom todo bibliotecário conhece essa piada.

“Guardar um livro na estante”. Quanto significado e importância há neste ato que pode se comparar ao do mecânico de navios. Não conhece a história?

Um navio transatlântico quebrou no meio do oceano. Imagine o prejuízo de um navio desses parado por um único dia. O Capitão, em desespero, chamou um técnico naval e solicitou um orçamento. O técnico sem ao menos avaliar a situação deu seu orçamento: R$100,00 que foi imediatamente aprovado. No entanto, depois de um dia inteiro de trabalho, o técnico desistiu e se foi.

Um engenheiro naval foi chamado e igualmente ofereceu um orçamento: R$1.000,00. O Capitão achou o preço um pouco salgado, mas devido ao prejuízo que poderia ter, decidiu aprová-lo. Mais um dia se passou e o navio continuava parado.

Vendo seu Capitão desesperado, o Imediato do navio resolveu sugerir a contratação de um velho mecânico. O Capitão, sem outra alternativa, ordenou que o mecânico fosse chamado. O mecânico estava muito ocupado, mas devido à sua amizade com o Imediato aceitou ir.

Depois de avaliar a situação, o mecânico deu seu orçamento: R$10.000,00. O Capitão surtou! Arguiu que outros deram orçamentos muito menores e o mecânico foi irredutivel no preço lembrando ao Capitão de que mesmo com a presença dos profissionais anteriores, o navio continuava à deriva. Muito a contragosto, o Capitão não teve outra alternativa a não ser aprovar o orçamento.

O mecânico então tirou um martelo de sua mala de ferramentas e bateu algumas vezes em uma válvula. Como por um passe de mágica, o navio voltou a funcionar! Então, guardou calmamente sua ferramenta e se dirigiu à cabine do Capitão para cobrar pelo serviço.

O Capitão, muito indignado reclamou: “-Puxa, mas você não levou 10 minutos para consertar o navio e vai me cobrar R$10.000,00?”. O mecânico pegou uma folha de papel e escreveu:

ORÇAMENTO DETALHADO:

– Marteladas na válvula: R$1,00.
– Saber em qual válvula dar a martelada: R$9.999,00.

E assim, quantos “usuários capitães” têm seus navios à deriva e são “salvos” pelas marteladas dos bibliotecários com aquele livro com o conteúdo precioso precisamente localizado e encontrado rapidamente em uma das milhares de estantes com centenas de milhares de livros?

E aqui estou falando apenas de um dos inúmeros serviços e recursos que um “Capitão Usuário” desesperado pode encontrar em uma biblioteca!

Minha filha então se virou, foi brincar e me perguntei então como me sentiria se no futuro minha filha me disser que quer ser Bibliotecária.

Me senti muito feliz e pensei em quantos navios seriam salvos por essa minha (talvez) pequena futura bibliotecária!

Feliz Dia d@ Bibliotecári@!

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